AS LESÕES MAIS COMUNS NO SURFE

Lesões no surfe acontecem. Veja quais são, segundo especialista.
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Desde cortes, fraturas, perigo de afogamento, e por aí fora, no surf existem várias coisas que podem, fisicamente, correr mal. Em entrevista ao site The Inertia, o Dr. DeSantis – um médico, também ele surfista, que exerce no Mission Hospital em Orange County -, habituado a lidar com inúmeros casos de lesões relacionadas com o surf, falou sobre as mais comuns.

Questionado sobre o tipo de lesões mais frequentes no surf: “São os cortes, fraturas faciais, e lesões nas articulações”, começou por dizer. “Os cortes e fraturas podem resultar de embates com a prancha, em particular com uma quilha, quer seja num wipeout ou num choque com outro surfista, ou mesmo com as rochas”.

Sobre os cortes e a hipótese de colocar sumo de limão da ferida: “Pode ser benéfico (cria um ambiente ácido na ferida e impede o crescimento das bactérias), mas há uma estratégia ainda melhor – quando surfares em locais com coqueiros por perto -, é deitar água de um côco verde para a ferida. A água destes côcos é estéril e uma boa forma de limpar a ferida. Mas apenas se devem usar os verdes, ainda nas árvores e não os castanhos que já se podem encontrar no chão”, alertou.

Sobre as lesões nos olhos, nomeadamente o ‘olho de surfista’: “A força de um impacto traumático na cara pode quebrar os ossos orbitais e lesionar o olho. As infeções bacterianas são também comuns em águas mais poluídas. A exposição muito prolongada à luz solar pode levar ao aparecimento de pterígio (o tal ‘olho de surfista), uma lesão que pode aumentar de tamanho na íris e afetar a visão. A solução é uma intervenção cirúrgica”.

Sobre as lesões nos ouvidos: “Um impacto forte pode romper os tímpanos. Muitos surfistas conhecem a dor de ter água gelada a entrar pelo ouvido quando isso acontece. Por norma, o tímpano sara, mas precisa de medicamentos. Outro problema comum é a exostose (ouvido de surfista). A exposição frequente à água fria pode levar ao crescimento de pequenos altos ósseos no canal do ouvido que podem dificultar a audição. O tratamento passa pela remoção desses ‘altos’ por um médico especializado”.

Sobre as lesões na espinha: “Sofrer um wipeout e cair com violência nas rochas, na areia, ou num recife – de cabeça, com as costas ou o rabo -, pode danificar a espinal medula. Já vi muitos casos de paralisia causados pelo surf, incluindo lesões no pescoço que deixaram pacientes tetraplégicos. Se tiveres uma queda grave e sentires um formigueiro, falta de sensibilidade, dores de cabeça, desorientação, tonturas, etc… dirige-te ao um hospital. O tempo é inimigo nestas lesões”.

Sobre os ataques de tubarão em que vários surfistas usam o leash como torniquete para estancar a hemorragia: “Não é a melhor escolha. O que se deve fazer é aplicar muita pressão (muita mesmo) na zona onde o sangue está a sair, para parar a hemorragia até chegar ajuda”.

Sobre lesões nos órgãos internos: “Existem algumas no fígado, rins e baço, devido a colisões com rochas ou pranchas. Estes órgãos são recebem muito sangue e podem dar origem a hemorragias internas. Este tipo de lesões são muito semelhantes às que ocorrem no snowboard”.

Sobre os afogamentos: “Estes acontecem quando ficas demasiado tempo debaixo de água. Só consegues suster a respiração durante um determinado período até ficares inconsciente. A partir desse momento, o teu corpo vai tentar respirar, e se ainda estiveres submerso, vais encher os pulmões de água salgada. Se houver uma assistência médica rápida, ainda podem conseguir retirar essa água e recuperar a tua respiração. Curiosamente, os afogamentos em água doce são mais letais do que em água salgada. No primeiro caso os teus pulmões vão ficar cheios de líquido do teu próprio corpo (o chamado edema), e isto é mais complicado de resolver. A água salgada inalada até aos pulmões não causa edema”, afiançou.

Sobre o melanoma e problemas de pele: “Não me canso de realçar a importância do protetor solar. Muitos surfistas metem um pouco na cara e nos ombros e esquecem-se das costas, das pernas, dos pés. Lembrem-se que as costas, a parte de trás das pernas e a sola dos pés, passam muito tempo expostas ao sol quando estás a surfar. E para quem tem a cabeça rapada, é preciso colocar protetor nessa zona. O melanoma não é ‘esquisito’ em escolher partes do corpo”.

Para finalizar, o Dr. DeSantis deixou um conselho final e muito importante: “A exaustão. Quando estás preso num set com ondas grandes não há tempo para fazer uma pausa. A exaustão causada por remar muito e lutar no meio das ondas pode levar a melhor sobre ti e causar acidentes mortais. Se estás cansado, sai. Adoro o oceano, mas tenho muito respeito pelo seu poder. O surf é o melhor desporto de sempre, mas mantém-te seguro”.

FONTE: Surftotal

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