As sete lesões mais comuns entre os corredores de rua

Conheça os motivos que desencadearam os problemas, assim como maneiras de prevenção e cura.

A corrida de rua já virou paixão nacional. Atualmente, estima-se que o número de brasileiros praticantes do esporte esteja em torno de 4 milhões e crescendo! Em cinco anos (de 2009 a 2014), o número de maratonistas cresceu 40%, segundo pesquisa do corredor e estatístico dinamarquês Jens Jakob Andersen, membro da Copenhagen Bussiness School.

E com esse aumento disparado de pessoas se exercitando em parques, ruas e academias, também cresce a quantidade de lesões por conta do esporte. Qual corredor que nunca ouviu falar nas palavras canelite, tendinite, fratura por estresse, e assim vai? Segundo o médio especializado em Medicina do Esporte, Gustavo Maglioca, um estudo apontou que cerca de 30% dos corredores de rua apresentaram algum tipo de lesão no últimos seis meses – sendo que os homens com idade entre 31 a 45 anos são os campeões de queixas.

Esses são alguns dos problemas que ocorrem, principalmente na região inferior do corpo, devido a pouco fortalecimento da musculatura, ou até mesmo por falta de descanso. Isso mesmo, você leu bem.

Listamos as sete lesões mais comuns na corrida de rua e conversamos com especialistas para saber como fugir desses percalços que aparecem meio do caminho.

1) Canelite (Síndrome do estresse tibial medial)
Afeta região interna da tíbia (osso da canela).
Motivos: segundo Cristiano Frota de Souza Laurino, médico ortopedista e mestre pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretor médico da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), a lesão se dá em pessoas que tem a pisada mais para dentro ou então, quando ocorre o aumento do exercício, seja por frequência, intensidade ou duração, entre outros problemas.
Como prevenir: “Manter rotina de alongamentos, fortalecimento muscular, além de evitar treinamentos excessivos, fato que varia de acordo com o preparo físico de cada atleta”, aponta Alberto Gotfryd, ortopedista do Hospital Albert Einstein e Santa Casa de São Paulo.
Como curar: o tratamento requer repouso (ou diminuição do ritmo de treinamentos) e reabilitação fisioterápica.

2) Fratura por estresse
Lesão nos pés e tíbia (principal osso da perna), fíbula e fêmur.
Motivos: corredores de longa distância, que percorrem grandes percursos com elevada frequência têm risco aumentado dessa fratura. “Excesso de treinamento ou lesão não tratada adequadamente, também contribuem”, alerta Rodrigo Cenzi, diretor técnico da Academia Leven, em São Paulo.
Como prevenir: evite treinamentos extenuantes repetidamente e mantenha intervalos de descansos.
Como curar: “com imobilização e repouso, até que o osso esteja totalmente reparado”, explica Gotfryd.

3) Distensão muscular
O problema, que ocorre por conta do estiramento excessivo de determinada fibra muscular, atinge, principalmente, panturrilha e posterior da coxa.
Motivos: “excesso de treinamento, cargas acima do suportável e lesões não tratadas adequadamente que levem a uma alteração biomecânica do corpo”, afirma Cenzi.
Como prevenir: com o aumento gradual em cargas de treino. Sem esquecer de fortalecer músculos dos quadris, core etc. “Deve-se descansar, ao menos um dia completo, uma ou duas vezes por semana. Pequenos intervalos durante um treino também são necessários para otimizar sua performance e evitar lesões”, indica Alfredo Gotfryd.
Como curar: com fisioterapia e repouso.

4) Tendinite ou Tendinopatia
Inflamação no tendão entre a panturrilha e o calcanhar
Motivos: excesso de treinamento ou mudança nos exercícios (aumento de intensidade ou volume muito grande em relação ao habitual). Também pode ocorrer quando se tem um encurtamento desses tendões.
Como prevenir: com aumento gradual nas cargas de treino. Realizando alongamento e fortalecimento do tendão de Aquiles, músculos do quadril, quadríceps e isquiotibiais (posterior de coxa).
Como curar: o tratamento consiste em medicações, fisioterapia e repouso.

5) Síndrome da banda iliotibial
“É causada pela fricção excessiva entre a banda iliotibial (tecido localizado na face lateral da coxa) e o osso localizado logo acima do joelho”, explica Gotfryd.
Motivos: ocorre com maior frequência em corredores de longa distância, ciclistas e outros atletas que praticam atividades envolvendo flexão repetitiva de joelho.
Como prevenir: com alongamento e fortalecimento do tendão de Aquiles, dos músculos do quadril, quadríceps e também posterior de coxa. Além disso, é preciso ficar atento ao volume e intensidade dos treinamentos.
Como curar: com fisioterapia, medicações anti-inflamatórias e repouso.

6) Fasciite plantar
Afeta a sola do pé, próximo ao calcanhar. “Caracteristicamente, os sintomas ocorrem pela manhã, ao pisar pela primeira vez no solo”, comenta Alfredo Gotfryd.
Motivos: Existem vários fatores e, segundo os profissionais, algumas possíveis causas são: pés planos ou cavados, encurtamento do tendão de Aquiles, musculatura da região fraca, falta de alongamento e alterações biomecânicas nos pés, joelhos e quadril.
Como prevenir: “Realize alongamentos e fortalecimento de panturrilha, dos músculos do quadril e quadríceps. Além disso, é indicado acrescentar de forma gradual a carga de treino”, aponta Rodrigo Cenzi.
Como curar: com alongamentos e medicações anti-inflamatórias.

7) Condromalácia patelar
A parte do corpo lesionada é a patela, o osso localizado no joelho que ajuda a sustentar os músculos das coxas.
Motivos: desequilíbrio de forças da musculatura do quadril e quadríceps, excesso de peso, alterações no ângulo do joelho, entre outros.
Como prevenir: com fortalecimento de glúteos e quadríceps, além de redução do peso. “É bom, também, evitar excesso de treinamento e de provas. A melhora da técnica de corrida pode ajudar”, aconselha Cenzi.
Como curar: depende da gravidade do problema. “Casos leves e moderados são tratados com fisioterapia e medicamentos. Já as lesões mais graves podem necessitar intervenção cirúrgica para reparo da cartilagem articular”, finaliza Gotfryd.

FONTE: QG Globo.com

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