CONHEÇA O PAPEL DA ENFERMAGEM NOS CUIDADOS PALIATIVOS

Na busca por uma assistência de qualidade, em 2002, a Organização Mundial de Saúde (OMS) conceituou que os Cuidados Paliativos (CP) abrangem os pacientes que convivem com doenças que ameaçam a vida (desde o seu diagnóstico) e seus familiares. A OMS entende, com isso, que muitos problemas que aparecem na fase final das doenças poderiam ser melhor controlados ou cessados antes dessa etapa.

De acordo com o especialista em Saúde Mental e em Gestão Hospitalar, mestre em Educação, Cultura e Organizações Sociais – Saúde Coletiva e membro da Câmara Técnica do Coren-MG como referência em Gerência e Assistência, enfermeiro Alexandre Ernesto Silva, os cuidados paliativos buscam promover o alívio da dor e afirmar a vida, considerando o óbito como um processo natural. “Seus princípios são não acelerar nem adiar a morte, integrar os aspectos psicológicos e espirituais no cuidado à pessoa, oferecer sistema de suporte para auxiliar os familiares durante e após a doença e abordagem multiprofissional para focar as necessidades da pessoa enferma”, conta.

Além de abordar as necessidades físicas, os aspectos sociais, emocionais e espirituais da pessoa enferma, o cuidado paliativo enfoca, ainda, suas expectativas e desejos. O que, segundo Alexandre Silva, é indispensável para a elaboração do plano de cuidado individualizado à pessoa com doença grave, em risco iminente de morte. “A assistência também enfoca as necessidades de seus familiares e cuidadores”, ressalta.

O enfermeiro informa que o plano de cuidados individual é elaborado pelo Processo de Enfermagem e tem como base a melhoria da qualidade de vida da pessoa enferma. Segundo ele, os profissionais integram a equipe interdisciplinar de cuidados e desenvolvem um trabalho de escuta sensível e atenta junto à pessoa enferma e seus familiares, permitindo a eles a livre expressão do sentimento, verbalizando o que sentem e suas inquietações. “Os profissionais prestam, ainda, orientações a respeito dos hábitos de sono, alimentação, atividades físicas, tratamento, buscando ajudar a pessoa a encontrar-se no universo da sua condição de estar com uma doença fora de possibilidades de cura atual”, complementa Alexandre Silva.

Para o enfermeiro, esse trabalho é de extrema importância, pois objetiva ajudar a pessoa sob os cuidados paliativos e seus familiares a viverem o mais ativamente possível esses últimos momentos, afirmando a vida e percebendo a morte como parte do ciclo vital. “O profissional de enfermagem tem um papel relevante na equipe de cuidados paliativos, considerando sua posição privilegiada de permanecer a maior parte do tempo junto à pessoa enferma e poder prestar a maior parcela de cuidados, além de poder posicionar-se como intermediador entre a pessoa/família e os demais membros da equipe”.

Necessidades e desafios – Alguns aspectos são indispensáveis para o desenvolvimento do cuidado paliativo, como a sensibilidade para escuta sensível e ativa, para que, por meio dela, o profissional possa compreender as necessidades de saúde e expectativas da pessoa enferma e de seus familiares, como destaca Alexandre Silva. “Capacidade de reconhecer os familiares e cuidadores, membros indissociáveis da pessoa enferma, e que esses também merecem cuidado, competência de utilizar da comunicação como terapêutica para reduzir o sofrimento humano e preparo técnico-científico para avaliação acurada dos sinais e sintomas, da capacidade funcional e da necessidade de cuidados existentes”, exemplifica.

O enfermeiro conta que iniciar uma abordagem multidisciplinar desde o diagnóstico de uma doença grave e incurável é possivelmente o maior desafio para o profissional de enfermagem que desempenha o cuidado paliativo. Além disso, ele destaca que muitas vezes o profissional se depara com pacientes que já se encontram em fase terminal, impossibilitando o desenvolvimento de estratégias que possibilitariam maior qualidade de vida. “Outro desafio é a dificuldade profissional de singularizar, individualizar a assistência, empregando protocolos inflexíveis, impedindo de, dentro de normas éticas e técnico-científicas, fazer algo a mais pela pessoa cuidada”.

Fonte:Corenmg