Entenda Tudo Sobre a Ventilação Mecânica na Fisioterapia

A ventilação mecânica consiste em uma modalidade terapêutica que substitui parcialmente ou completamente a ventilação espontânea. Essa fisioterapia atua de maneira eficaz no tratamento da insuficiência respiratória aguda (IRpA) ou crônica agudizada.

No ano de 1920, pesquisadores desenvolveram um equipamento responsável por gerar uma pressão negativa nos pulmões, de modo semelhante à mecânica pulmonar fisiológica, denominado “pulmão de aço”. Porém, grandes dificuldades na utilização deste equipamento foram observadas. Foram encontradas limitações durante a higienização dos pacientes, má ventilação em quadros de lesão parenquimatosa grave e monitorização complicada.

Considerando todos os referidos fatores, bem como a epidemia de poliomielite que ocorreu anos mais tarde, houve uma série de avanços tecnológicos que permitiram a ampliação nas funções ventilatórias, com a criação de equipamentos como o “Bird Mark 7” e posteriormente os ventiladores microprocessados (década de 80).

O objetivo do presente artigo é fornecer conhecimentos sobre como corrigir alterações na oxigenação e nos desequilíbrios ácidos-básicos, através dos ventiladores mecânicos mais recentes, bem como as vantagens e desvantagens dos principais modos ventilatórios controlados, com base no estado da arte fornecido pela Diretriz Brasileira de Ventilação Mecânica (2013) e outras evidências.

Benefícios Gerais da Ventilação Mecânica 

Equilíbrio Ácido-Básico

Um dos efeitos positivos da ventilação mecânica é o auxílio na recuperação do equilíbrio ácido-básico. No exame de gasometria arterial, a faixa de valores de normalidade do pH sanguíneo varia entre 7,35 e 7,45.

Estes valores são influenciados pelos níveis de bicarbonato (HCO3), cujos valores de normalidade variam entre 22 e 28mEq/L e pelos níveis de pressão arterial de dióxido de carbono (PaCO2), cujos valores de normalidade variam entre 35 e 45mmHg. Estas substâncias possuem relação diretamente e inversamente proporcional com o pH, respectivamente.

A concentração de PaCO2, quando se eleva, desencadeia uma redução do pH, cursando com a alteração gasométrica denominada ACIDOSE RESPIRATÓRIA. Em contrapartida, quando a concentração de PaCO2 diminui, há um aumento do valor do pH, caracterizando a ALCALOSE RESPIRATÓRIA. Em relação às concentrações de HCO3 – diretamente proporcionais ao pH-, sua elevação levará ao aumento do pH, e vice-versa.

Quando o pH se torna ácido em função da redução do HCO3, a alteração gasométrica encontrada é a ACIDOSE METABÓLICA. Já quando se torna alcalino por conta do aumento do HCO3, a alteração recebe o nome de ALCALOSE METABÓLICA. Estas informações serão reforçadas de maneira esquemática, para facilitar o entendimento.

Se o pH é diretamente proporcional ao HCO3 e inversamente proporcional à PaCO2, então:

Fórmula: ALCALOSE METABÓLICA

Como a ACIDOSE corresponde à redução do pH e pode ser causada pela diminuição do HCO3 ou pela elevação da PaCO2, então:

Acidose Metabólica x Acidose Respiratória

Como a ALCALOSE corresponde à elevação do pH e pode ser causada pela elevação do HCO3 ou pela redução da PaCO2, então:

Alcalose Metabólica x Alcalose Respiratória

O organismo sempre trabalha com mecanismos de feedback negativo. Diante deste fator, cada uma destas alterações gasométricas poderá ser compensada, levando ao reequilíbrio ácido-básico. Como a ACIDOSE corresponde à redução do pH e pode ser causada pela diminuição do HCO3 ou pela elevação da PaCO2, então:

Supondo uma situação na qual o paciente apresenta distúrbio ventilatório obstrutivo, como na doença pulmonar obstrutiva crônica, poderá ser constatada inicialmente grande concentração de CO2, com consequente redução do pH. Porém, como é uma condição crônica, o sistema renal reterá uma maior quantidade de HCO3, levando o pH à normalidade. Este mecanismo compensatório é denominado ACIDOSE RESPIRATÓRIA COMPENSADA.

ACIDOSE RESPIRATÓRIA COMPENSADA

Em um segundo exemplo, um paciente com quadro neurológico que levou a uma hiperativação do centro respiratório, gerando queda nas concentrações de CO2. Como feedback negativo, houve uma maior eliminação de HCO3, propiciando o restabelecimento do equilíbrio ácido-básico. Este mecanismo compensatório é denominado ALCALOSE RESPIRATÓRIA COMPENSADA.

ALCALOSE RESPIRATÓRIA COMPENSADA

Doenças renais podem cursar com queda ou elevação das concentrações de HCO3. Quando esta substância está em queda, o sistema respiratório tenta eliminar proporcionalmente o CO2, desencadeando a ACIDOSE METABÓLICA COMPENSADA. Quando está em ascensão, o sistema respiratório tenta reter proporcionalmente o CO2, desencadeando a ALCALOSE METABÓLICA COMPENSADA.

ACIDOSE METABÓLICA COMPENSADAALCALOSE METABÓLICA COMPENSADA

Fonte: Blog Fisioterapia