Fisioterapia no Brasil

   A Fisioterapia, enquanto profissão, cada vez mais tem adquirido importância significativa na área das ciências da Saúde nas sociedades modernas. Enquanto ciência, tem avolumado conhecimentos e experiências diversas, resultantes de investigações e pesquisas teóricas e práticas nas suas diferentes áreas de atuação. Isto vem ao encontro da sua consolidação como Ciência da Saúde, mostrando o seu real valor e necessidade como interventora no processo de promoção, manutenção e recuperação das condições de saúde da população. Outro fator a destacar é a sua natureza de ciência biopsicossocial, caracterizando-a como área de estudo e atuação que promove e possibilita uma interface com várias outras profissões da área de saúde. Entre elas, citamos algumas: Medicina, Odontologia, Educação Física, Psicologia, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Nutrição, Enfermagem, Bio-Engenharia, etc.
A medida em que as sociedades evoluem, surge a preocupação real com a educação e com a saúde. Nas sociedades ditas modernas, realmente existe uma necessidade de manutenção das condições de qualidade de vida e, principalmente, de saúde. Esta preocupação, que se manifestava inicialmente apenas na fase terciária e secundária, vai se transformando com o tempo e demonstrando uma real intervenção no aspecto primário da saúde.

     A Fisioterapia é uma arte milenar, profissão que já vem sendo praticada desde os nossos antepassados, desde a idade da pedra, época em que o homem pré-histórico buscava o sol, a água e o regato com águas cristalinas e frias para amenizar o seu sofrimento e amenizar sua dor. Tem-se visto que a utilização dos recursos físicos – água, luz, eletricidade, calor, frio e o movimento – têm e vêm contribuindo bastante e a um longo tempo no sentido da promoção, preservação e recuperação das condições de saúde das populações, constituindo assim os recursos fisioterapêuticos.
É notória a contribuição que a Fisioterapia vem dando ao campo da saúde em nosso País, devido à sua versatilidade, dinamicidade e principalmente necessidade. O Fisioterapeuta tem buscado e ocupado seu espaço profissional junto a creches, hospitais, centros de terapia intensiva, ambulatórios, clínicas geriátricas, entidades de excepcionais, clínicas especializadas, centros desportivos, clubes, instituições de ensino, postos de saúde, centros médicos, associações de pessoas portadoras de necessidades especiais, empresas, linhas de produção e instituições de ensino.
     Atuando tanto em níveis primário, secundário e/ou terciário, vemos a Fisioterapia prestar seus serviços nas diferentes áreas e especialidades da saúde, tais como: cardiologia, pneumologia, neurologia adulto e infantil, pediatria, medicina intensiva, ortopedia, traumatologia, cirurgia, medicina desportiva, endocrinologia, dermatologia, ergonomia, reumatologia, doenças pulmonares, estética, geriatria, gerontologia e outras.
Com certeza, a Fisioterapia é uma ciência ainda em construção, cujos paradigmas se encontram abertos e em franca evolução, sempre em busca do conhecimento científico revertendo-o em prol de uma comunidade menos favorecida e carente de uma intervenção de saúde.
     A cada dia, cada vez mais, a Fisioterapia se solidifica, se enraíza através de uma base científica, firmando-se como Ciência, expandido-se na busca do oferecimento de uma atenção à saúde com qualidade e dignidade, caracterizando um novo perfil profissional nessa área de conhecimento humano, o qual, hoje se destaca em termos de atuação e interesse.
    As bases socioculturais do curso de Fisioterapia da UCB assentam-se sobre parâmetros de necessidade social perfeitamente definidos, tais como os aspectos demográficos, a localização da UCB, o nível de escolaridade nos 1º e 2º graus, o mercado de trabalho, a carência de profissionais fisioterapeutas na região, a necessidade de assistência de Fisioterapia às pessoas necessitadas, a baixa oferta ou inexistência de serviços de Fisioterapia voltadas à população carente e de baixa renda.
40 anos de história da Fisioterapia no Brasil
A Fisioterapia comemora 40 anos de regulamentação no dia 13 de outubro de 2009 e o Jornal Mundo Fisio não poderia deixar de prestar uma homenagem aos fisioterapeutas que buscam o reconhecimento profissional – na prática clínica, na pesquisa, na docência e no envolvimento social e político – primando pela ética e pelo desenvolvimento digno dessa importante ciência. A evolução da Fisioterapia nestes 40 anos deixa explícito que muito foi conquistado, porém muito mais ainda é preciso conquistar.
Na década de 30 aqui no Brasil, os serviços de fisioterapia eram realizados por médicos denominados “médicos de reabilitação”. Com o envolvimento direto do Brasil na Segunda Guerra Mundial houve o desenvolvimento da Fisioterapia como prática recuperadora das sequelas físicas e também a modernização dos serviços fisioterapêuticos.
Em 1951, foi realizado o primeiro curso para formação de técnicos em Fisioterapia pela Universidade de São Paulo e em 1963, a Fisioterapia se tornou curso superior, mas a atuação dos fisioterapeutas estava subordinada aos médicos. Somente em 1969, com o Decreto Lei 938 de 13 de outubro, as profissões de Fisioterapia e Terapia Ocupacional foram regulamentadas.
Hoje, após 40 anos de regulamentação profissional, e como consequência da preocupação crescente com a qualidade do atendimento oferecido à população, a Fisioterapia alcançou sua importância entre as ciências da saúde.
Para alcançar este patamar os fisioterapeutas tiveram que mostrar, à sociedade e a outros profissionais, seu contínuo aperfeiçoamento com base em fundamentos científicos. Além disso, os profissionais tiveram que aperfeiçoar e apresentar formas de intervenção que permitissem mostrar que sua atuação é capaz de abranger todos os níveis de saúde com eficácia.
O conceito de saúde abrange um conjunto de fatores como sócio-econômico, alimentação, meio ambiente, saneamento básico, entre outros. Além disso, o atendimento em saúde é interdisciplinar, ou seja, caracterizado pela integração e pela troca entre as várias áreas do conhecimento. Cabe, então, ao fisioterapeuta se inserir neste contexto interdisciplinar de maneira eficaz e produtiva, consciente de sua competência científica, atuando de forma ética na promoção, manutenção, prevenção, proteção e recuperação da saúde. É fundamental que o profissional esteja comprometido com o ser humano em toda a sua essência, respeitando-o e valorizando-o.
Sob o aspecto legal ainda é preciso esforço para provar que muitas mudanças são necessárias e para isto é necessário lutar junto com as entidades representativas de classe para tornar mais evidente as funções da Fisioterapia, suas áreas de atuação e seu objeto de trabalho. É importante ressaltar que nenhuma profissão atingiu a plenitude dos seus direitos profissionais, sem a participação efetiva de cada profissional. A busca pelos direitos da classe é um dever de cada profissional e cabe a ele não aceitar as violações ao seu pleno direito de exercer conscientemente e com dignidade sua profissão.
FONTE: Fisio Saudável

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