Microagulhamento para os cabelos trata calvície e queda de cabelo

Técnica estimula o crescimento de novos fios, mas não deve ser feita em casa

O microagulhamento é um tratamento médico que visa estimular e induzir a formação de colágeno. É utilizado para flacidez da pele da face e do corpo, cicatrizes de acne, estrias. No entanto, também há indicações do uso do microagulhamento para os cabelos, sendo aplicado no couro cabeludo para a calvície e queda de cabelo tanto em homens como em mulheres.

Como funciona o microagulhamento nos cabelos

O microagulhamento é um procedimento médico, realizado pelo dermatologista, que utiliza geralmente um aparelho chamado de roller. O roller consiste em um rolo de polietileno cravejado de agulhas que variam em número, tamanho e formato. Há também modelos caseiros desse aparelho, vendidos pela internet, mas os devices utilizados pelo médico geralmente apresentam de 75-540 agulhas, variando de 0,25 a 3 milímetros.

Parece mágica, mas é pura ciência. Ao criar os orifícios, ocorre sangramento e, com ele, a sinalização de plaquetas, que ajudam a conter o sangramento. Com essa ativação, inicia-se uma produção de fatores de crescimento e, consequentemente, um estímulo para células como os fibroblastos formarem colágeno (proteína que dá sustentação à pele) e os queratinócitos produzirem a queratina, a proteína que forma cabelo, pele e unhas.

Outra consequência do microagulhamento é a promoção de expressão de genes que facilitam a produção de proteínas que culminam na formação dos cabelos: as células da papila dérmica (células-tronco) são estimuladas por proteínas codificadas por esses genes e os cabelos começam a aparecer no local do tratamento.

Resultados do microagulhamento para calvície

Há vários protocolos de tratamento em andamento quando falamos em microagulhamento para os cabelos, e já temos trabalhos científicos que comprovam a eficácia da técnica. Um desses trabalhos mostrou bons resultados em homens com alopecia androgenética – a calvície masculina – após entre oito e 10 sessões de microagulhamento usando agulhas de 1,5 mm com sessões semanais e, após um mês, quinzenais. Já há estudos em mulheres e essa parece ser uma boa alternativa no tratamento dessa condição para elas também.

O procedimento por si só já é eficiente e há estudos sem o uso de nenhuma medicação. Alguns médicos optam por introduzir algum remédio neste momento, aproveitando os orifícios causados pelo procedimento. Esse tipo de técnica é chamada de drug-delivery, que pode ser traduzido por “aplicação de medicação”.

A frequência das aplicações e os cuidados após o tratamento variam muito de médico para médico. Há médicos que orientam o procedimento semanal, quinzenal e até mensal. O número de sessões também é variável, mas tenha em mente que não é uma aplicação única.

Quanto aos cuidados, há quem recomende lavar a região somente no dia seguinte, outros imediatamente. Isso depende fundamentalmente do uso ou não do drug delivery, algo que ainda não está aprovado pela Anvisa, mas que também não é proibido.

Há quem oriente o uso de capacetes com led, o laser de baixa intesidade, enquanto outros não fazem esse tipo de orientação. Essa variabilidade de condutas acontece porque há diversos protocolos que podem ser empregados. Por isso é tão importante procurar um médico que tenha familiaridade e experiência com esse tipo de procedimento e de tratamento.

Cuidados com o microagulhamento caseiro

É importante salientar que há um protocolo específico para obter esse tipo de resultado. Em primeiro lugar, é extremamente importante que seja feita uma assepsia (limpeza sistemática do couro cabeludo) com o degermante adequado. Além disso, as agulhas são cortantes, estéreis, de vários calibres e dimensões e, portanto, devem ser escolhidas pelo profissional habilitado e aplicadas com a técnica correta, com a pressão e direções adequadas.

O risco de infecção bacteriana e fúngica, além da contaminação com bactérias de crescimento lento, resistentes a ácidos e álcool, existem sim. E é mais um motivo para não fazer este tratamento em casa.

No consultório médico, esses aparelhos são descartados após o uso. Guardar em casa um aparelho cheio de agulhas, mesmo que só usado pela mesma pessoa, pode causar um problema muito sério e eu não recomendo. O que dirá de frequentar um lugar que reutiliza o aparelho em outras pessoas? Temeroso! Outro problema grave seria causar um trauma tão grande que gerasse cicatriz e queloide no lugar de cabelos. Sem dúvida é um risco que alguns pacientes correm ao procurar profissionais que não receberam treinamento adequado.

Em resumo, o microagulhamento é uma técnica nova e promissora em Dermatologia, que pode ser utilizada como adjuvante no tratamento da alopecia androgenética em homens e mulheres e já é recomendada e realizada por grandes especialistas no assunto. Como toda nova técnica, ainda há dermatologistas muito bons que são céticos a respeito e há muitos aventureiros, de diversas especialidades médicas e não médicas, realizando a técnica, talvez sem o treinamento e o conhecimento necessários. A palavra da vez é cautela. Procure um profissional habilitado a tratar a doença e desconfie se a conduta se resumir ao microagulhamento: ele faz parte de um tratamento e não deve ser a única medida a ser tomada.

Fonte: Minha Vida