O que é puerpério?

O puerpério é o nome dado ao período após o parto no qual o corpo da mulher passa por alterações físicas e psicológicas até que o organismo retorne ao estado anterior à gravidez.

O puerpério tem início logo após o nascimento do bebê, com o descolamento da placenta. Neste artigo, apresentamos outras informações sobre esse período delicado e daremos dicas sobre os cuidados necessários com a mulher durante essa etapa. Confira!

Duração

O puerpério dura normalmente seis semanas. Por isso, também é conhecido popularmente como quarentena: uma etapa na qual a nova mãe precisa ter mais cuidado e cautela nas atividades diárias e passa por uma série de transformações emocionais e fisiológicas para que o corpo volte ao seu estado pré-gestação.

Durante o puerpério, é preciso ter cuidados especiais com a mulher. O puerpério inicia-se uma a duas horas após a saída da placenta e pode ser dividido em:

Puerpério imediato (1 ° ao 10° dia), momento o qual o corpo começa a se recuperar. Nesse período, o útero começa a retornar ao seu tamanho normal e há a ocorrência de corrimento — inicialmente avermelhado e, com o passar dos dias, em volume reduzido e tonalidade amarelada.
Puerpério tardio (11 ° ao 45° dia), período no qual o corpo ainda está passando por transformações e o cuidado deve ser redobrado. O útero continua a regredir e a região genital continuam a sofrer modificações para se recuperar por completo do período gestacional.
Puepério remoto (a partir do 45° dia) até enquanto a mulher amamentar ela estará sofrendo modificações da gestação (lactância).
Durante o puerpério, a mulher não ovula. Porém, a partir do quadragésimo dia, a capacidade reprodutiva é retomada e é recomendado o uso de métodos contraceptivos caso a mulher não deseje uma nova gravidez.

Em mulheres que estão após este prazo em amamentação plena (aproximadamente de 3 em 3 horas), sem pular mamadas, a capacidade de ovulação pode ainda não ocorrer, estando inibida pela amamentação.

Equilíbrio hormonal

Uma das principais transformações no corpo da mulher após o parto é a queda nos níveis hormonais. Em função disso, a nova mamãe pode se sentir mais cansada e desanimada nesse período, sentimentos que também podem ser acompanhados de insegurança ou tristeza.

Por isso, é importante ter o apoio da família durante o momento da quarentena, e é necessário prestar atenção ao aparecimento de outros sintomas mais graves — como a falta de apetite, insônia e desinteresse —, que podem indicar o início de uma depressão pós-parto. Nesse caso, é preciso buscar acompanhamento médico.

Emocional abalado

Durante a quarentena e em função nas mudanças hormonais que já citamos, a mulher pode estar mais frágil e sentimental. Por isso, a ajuda do parceiro e parentes mais próximos é fundamental nesse período difícil. É importante que as pessoas ao redor da nova mamãe estejam preparadas para ajudá-la e dar toda a segurança que ela precisa nesse período.

Também é importante lembrar que essas mudanças são passageiras e que a confusão emocional logo passará.

Mudanças no corpo

Principalmente nos primeiros dias, é normal que a mulher sinta dores nos seios. Esse desconforto é normal e deverá aliviar com a amamentação. Caso isso não aconteça, é melhor procurar o médico.

Outra situação normal durante o puerpério é ficar com o intestino preso ou lento. Principalmente no caso de cesariana, esse quadro pode durar até 72 horas. Para aliviar o mal-estar, a dica é apostar em alimentos ricos em fibras, como o mamão, ameixa e laranja, além de ingerir bastante líquido.

Sexo

A retomada da vida sexual após o parto costuma se dar a partir do primeiro mês, com a liberação do obstetra. Nesse período, a libido pode estar em baixa e o corpo ainda passa por alterações hormonais. Por isso, é preciso ter paciência e criatividade para retomar a vida sexual.

Durante a quarentena, as atividades sexuais devem ser restritas, mas não precisam ser totalmente evitadas! Se quiser, o casal se quiser, pode apostar na masturbação ou no sexo oral para se reconectar após a chegada do bebê enquanto aguarda a liberação do médico.

Alimentação e bem-estar

Durante o puerpério, é essencial que a mulher adote uma alimentação equilibrada para fortalecer o organismo e a imunidade. Aposte em legumes, verduras e frutas, além de alimentos ricos em minerais como ferro e cálcio, encontrados na carne vermelha e nos laticínios. Outra recomendação é beber bastante água — ao menos dois litros por dia, para auxiliar na função intestinal materna e também, na produção do leite.

Refeições pesadas, gordurosas ou com excesso de açúcar devem ser evitadas, pois esses elementos são transmitidos para o leite materno e têm mais chance de provocar cólicas em alguns bebês — o sistema digestivo do recém-nascido ainda não está preparado para digerir alimentos complexos. Até o momento, nenhum estudo científico conseguiu provar que um grupo de alimento específico pode causar cólicas em todos os bebês. Esta resposta é individual, cada bebê pode ou não ter cólicas com determinados alimentos. Portanto, a questão alimentar deve ser tratada de forma individualizada, dependendo de cada recém nascido. Se a mãe observar que todas as vezes que ingere determinado alimento causa cólicas no seu bebê, aí sim este alimento deve ser evitado.

O que pode e o que não pode durante o puerpério?

Há muitos mitos em torno do que a mulher pode fazer durante o período pós-parto. Porém, algumas atividades são mesmo desaconselhadas. Dirigir no primeiro mês, por exemplo, é contraindicado porque pode atrapalhar a cicatrização do períneo, em caso de parto normal, e das suturas abdominais no caso de cesárea.

Atividades físicas mais pesadas, como a corrida, também são desaconselhadas nos primeiros 45 dias — mesmo em caso de parto normal. A cesariana tem restrições mais severas por se tratar de um procedimento cirúrgico e, nesse caso, as atividades devem ser evitadas por até três meses.

Atividades como depilar, subir escadas ou utilizar absorvente interno estão totalmente liberadas durante o puerpério.

Depois do parto, é muito importante que a mulher mantenha o acompanhamento da saúde junto ao obstetra. A primeira consulta (ou visita domiciliar) deve acontecer entre uma semana e dez dias depois do nascimento do bebê. Nesse encontro, o médico obstetra deverá avaliar a saúde da mãe, observar a amamentação e o sangramento vaginal, acompanhar a cicatrização e retirar pontos, se for necessário, além de esclarecer todas as dúvidas sobre os cuidados a serem tomados durante o puerpério. Deve-se também visitar o pediatra nesta fase, para avaliar a saúde do bebê, examiná-lo, fazer o teste do pezinho, fazer as primeiras vacinas e pesá-lo para verificar se a amamentação está sendo realizada de forma adequada.

Fonte: Cordvida