Tratamento Fisioterapêutico em Pacientes com Paraplegia

A paraplegia decorre de uma lesão medular que pode ser devido a acidentes automobilísticos, atividades recreacionais, lesões relacionadas ao trabalho e violência. É uma lesão que afeta, preferencialmente, o sexo masculino, na proporção de 4:1, na faixa etária entre 15 a 40 anos.

Comumente, a recuperação motora acontece nos dois primeiros meses após a lesão inicial, apresentando uma diminuição do potencial de melhora após três a seis meses. Observa-se que 75% dos pacientes com paraplegia na forma incompleta recuperam alguma função.

Atualmente, se constitui como um problema de muita gravidade na saúde pública, afinal a sua devastadora incapacitação torna o tratamento prolongado, podendo levar o indivíduo à danos nas funções e locomoção.

A realização de fisioterapia em todas as fases e se iniciando precocemente, ainda no período hospitalar, é muito eficaz para proporcionar uma maior independência funcional e melhora da qualidade de vida do paciente.

O Que É Paraplegia?

Define-se paraplegia como uma diminuição ou perda das funções sensitivas e/ou motoras dos segmentos torácicos, lombares ou sacrais da medula espinhal, inclusive disfunção autonômica e esfincteriana, decorrentes de danos nos elementos neurais dentro do canal vertebral de forma parcial ou total, traumática ou não, com a integridade dos membros superiores, sendo acometidas as funções do tronco, membros inferiores e órgãos pélvicos, dependendo do nível da lesão.

A paraplegia pode se apresentar de forma:

  • Espástica, com hipertonia muscular;
  • Flácida, com a abolição dos reflexos tendinosos e perda de tônus muscular;
  • Temporária, quando é possível intervir para remover as causas, como em uma doença infecciosa, por exemplo;
  • Permanente, devido a causa congênita irreversível ou corte transversal da medula;
  • Completa, com as funções dos membros superiores preservadas, sem movimentos nos membros inferiores, e nenhuma sensação muscular na região sacral inferior;
  • Incompleta, quando possui alguns movimentos em membros inferiores, apresentando contração voluntária dos músculos esfincterianos.

A lesão da medula pode ser classificada em paraplegia alta (T1 – T6) e paraplegia baixa (T7 – L5).

 Como Funciona a Fisioterapia para Paraplégicos

Sabe-se que existe uma relação direta entre o tempo decorrido da lesão e o nível de aptidão física e independência funcional do paciente paraplégico. Por isso é fundamental que o tratamento fisioterapêutico seja iniciado o mais precocemente possível.

Assim a fisioterapia vai proporcionar aos pacientes uma melhora da sua capacidade física, aumentando os índices de independência funcional e nas atividades de vida diária, fazendo com que melhore o seu convívio social, bem-estar psicológico e qualidade de vida, e ainda promovendo uma menor predisposição ao risco de doenças.

 Os Objetivos da Fisioterapia para Pacientes Paraplégicos

A fisioterapia tem como principal objetivo a maximização da independência funcional do paraplégico e a sua reintegração na sociedade. Assim como prevenir as deformidades e complicações, melhorar a função muscular remanescente, também a função respiratória, promover treino de transferências e trocas de posturas, proporcionar o manuseio da cadeira de rodas, realizar o treino de equilíbrio, realizar a aquisição do ortostatismo se for possível, inclusive o retorno da marcha com uso ou não de dispositivos de órtese, manter amplitude de movimento, promover alívio de dor, contribuir para a manutenção de uma boa circulação; evitar contraturas e deformidades, adquirir controle de tronco sem apoio, melhorar a postura, descarga de peso e melhorar o controle de tronco.

Vantagens e Benefícios da Fisioterapia para Paraplégicos

Observa-se que a fisioterapia assume um papel preponderante no processo de reabilitação nos pacientes com paraplegia, em diferentes níveis:

  • Psicologicamente, porque a melhora na funcionalidade e domínio dos gestos acabam conduzindo ao aumento de autoconfiança, redução da ansiedade, melhora na sociabilidade, reflete no humor e na motivação do paciente, e favorece a experimentação do potencial produtivo;
  • Social, pois o ganho de autonomia favorece a reintegração social;
  • Terapêutico e fisiológico, afinal ocorrem a melhora da saúde em geral e da aptidão física, trazendo benefícios como a prevenção do aparecimento de doenças;
  • Favorece a analgesia, utilizando os seus recursos, inclusive desviando o foco do quadro álgico;
  • Auxilia na melhora da possibilidade de sucesso das terapias instituídas.

Fonte: Blog Fisioterapia